Resenha de “A Revolução Pendente” no “Novas da Galiza”

Janeiro 24, 2009

revolucao-pendente-ngz72Reproduzimos a continuação a resenha do ensaio de Carlos Diegues, feita por Iolanda Martínez Suárez para o jornal Novas da Galiza, publicada em 15 de Novembro de 2008.

A revolução pendente. Feminismo e democracia

IOLANDA MARTÍNEZ SUÁREZ/ No contexto de “inflaçom da cultura”–em termos de María Xosé Agra-, continua a ser difícil reconhecer os outros – e nomeadamente as outras- como seres humanos iguais. A revolução pendente. Feminismo e democracia é um alegato feminista para reconhecer a outra metade da humanidade: as mulheres, dito isto de um jeito nom essencialista, pois junto ao autor do texto coincidimos em afirmar a pluralidade e mobilidade intra-identitária. Carlos Diegues defende nestas páginas, com rigor e fidelidade às fontes de que bebe de jeito sempre crítico, o reconhecimento como umha questom de justiça, como figera Nancy Fraser no contexto anglosaxom e Agra no nosso contexto.

Diegues, na linha de Fraser, demanda justiça de umha perspectiva dual. O reconhecimento das mulheres é visto como meio e nom como fim. Pois o fim deve ser a crítica da “subordinação e da desigualdade em geral”, mais pertinente que nunca no contexto de globalizaçom actual, onde as diferenças entre mulheres medram, parelhas à feminizaçom da pobreza, e às novas formas de opressom. O respeito da dignidade dos seres humanos e a garantia da aplicaçom dos direitos humanos e cidadaos- em tanto parte dum sujeito global é o fim que persegue um feminismo global, ou o que vem ser o mesmo, umha concepçom de justiça global.

A repolitizaçom que devolva as reivindicaçons éticas à esfera política e que rache a distinçom entre o ámbito público e o privado é o fio que estrutura este ensaio. O feminismo é entendidocomo sinónimo de democracia polo autor, comprometido com este projecto emancipador teórico e prático. Nesta medida, Diegues aponta para o reconhecimento como fundamental, pois sem ele nom há justiça, e sem ela nom há democracia.

Por todo o antedito, estamos perante umha obra de radical actualidade, elaborada com umha metodologia académica, fruto de um trabalho doutoral, que confere ao texto um rigor conceptual fundamental na hora de tratar teorias complexas como o multiculturalismo, o liberalismo, etc. Tarefa que o autor acomete com valor e convencimento meditado, seguindo os caminhos abertos por autoras da talha de Benhabib, Fraser, Okin ou Young. Diegues reflexiona sobre as questons da justiça e a igualdade, negando a separaçom liberal entre ambas, para fazer assim honra aos princípios da democracia radical, ainda nom conseguida, daí o título: a revoluçom continua a estar pendente.

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